Marcelo Novaes’s Registered & Protected Web Page
http://prosaspoeticas-marcelo-novaes.blogspot.com/-
All Rights Reserved
-
Wed Jul 01 00:35:09 UTC 2009
-
Poesia-em-prosa by Novaes
-
My Registered & Protected Copyright: http://prosaspoeticas-marcelo-novaes.blogspot.com/
-
Poesia-em-prosa by Novaes Translúcido Eu estava num fusca com estrutura transparente: só um esqueleto vazado de vento. Os documentos, mÃnimos: um sanduÃche mordido e certidão de nascimento. Acharam por bem flagrar-me em flagrante: forjar flagrar um flagrado para proteger-me de mim mesmo, isolando-me de meus futuros companheiros de sanduÃche. Eu estaria livre da acusação de participação em quadrilha. Teria direito a uma cela de vidro, a uma saÃda provisória de um dia, para ajeitar minha casa, contratar faxineira, organizar aquilo que estaria me esperando depois de ano e meio. Poderia receber visitas de mulheres que filassem conhaques em filas, e tequilas em comÃcios de polÃticos. Poderia receber ladras de cobertores e carregadores de estopa. Poderia assistir a um filme por mês, projetado em minha cela, nas quatro paredes ao mesmo tempo. Poderia jogar xadrez, com um clown no lugar do rei, uma madona carregando um bebê, no lugar da torre, e um Buda bem assentado no tabuleiro, preso com Ãmã, no lugar do bispo. Poderia receber uma cartomante, que imprimiria minhas falanges e digitais, para ver se meu dedo anular esquerdo ainda estava inaparente, anulado. Poderia solicitar a visita de São Cristóvam carregando Cristo, ou de Atlas carregando o mundo nos ombros, se soubesse como acessá-los, se passasse o endereço para meu advogado. Poderia confessar-me com Daniela Mercury, se ela aceitasse o papel de minha absolvedora. Enfim, para mim, todo o auxÃlio e apoio. Poderia comer de pé, poderia dormir sentado, poderia guardar pedrinhas em saquinhos de supermercado, colecionar elásticos e palitinhos, ter a imagem de uma Judite encarquilhada, de mãos tensas e postura alquebrada, como musa: Gustav Klimt. E quando eu fosse capaz de fazer um voto que detivesse a vertigem dos que me visitaram, e um gesto que os apaziguasse a todos de seu fardo, estaria julgado absolvido, pela trasparênca de meus modos terem ultrapassado à do vidro.Marcelo Novaes Postado por Marcelo Novaes à s 30.6.09 0 comentários Caê não cai Não mais festivais, nem praças-da-alegria-alegria. Nem carnavais, como aqueles de antes. Não mais cirandas, bandas, nem passeios ingênuos nas rodas gigantes. Agora, é só playground, Play Center e Bungee Jump. Não mais nadar contra a corrente, nem voar andar voar flutuar contra o vento, sem lenço e sem patente. Caê já é terceiro-tenente, aspirante a Coronel Antonio Bento. E dizem que não cai. Dizem que não toma vaia. Dizem: tomara-que-caia. Dizem que ele usou saia, mas não usa mais. Dizem que é quase calmo, quando fala; mas não gosta de coro, quando canta no palco. Caê é Ãndio com cara-pálida: gosta de carne dura e pele clara. Ou escura. Não para de compor, e acha pérolas raras no mar de Salvador. Encontra bolhas e belezas flutuando no vapor barato, mama nas tetas das vacas profanas, e sai ileso. Não lhe roubam cheque nem dinheiro. Tem sorte. Sei que estica a lÃngua até onde pode, quase fala latim. Estica e roça na lÃngua dos grandes autores. Explode eclode implode sambódromo e Hollywood. É sempre a mesma fera, na voz dos negros do Harlem, ou de Elza Soares. Desnuda aponta apresenta tecnologias da linguagem, canta pinta e borda som-e-imagem, na ponta da lÃngua, nos trejeitos, no vibrato da voz. Representa, quando canta,cenas de trovador cosmopolita antropofágico tropicalista hiper-urbano, evitando clichês, crayon e giz de cor. Prefere óleo e acrÃlico, materiais duráveis ou definitivos. Queria mesmo era ser escultor. Caê vai encarar toda ofensa, defender nos tribunais o direito de ser estrela, e não encaretar. É mau ator, quando se aventura: paródico, hiperbólico, parabólico-camará, como outro cantor baiano, que não sabe atuar. Mas é primo-irmão de Glauber Rocha, num parentesco de alma. E canta bem, em espanhol, num filme de Almodóvar. E tudo faz pra ficar odara. Tomara Deus, mesmo, que Caê não caia.Marcelo Novaes Postado por Marcelo Novaes à s 30.6.09 0 comentários IndÃcio de pessoa Procurei pela pessoa e não havia pessoa. Não estava nas paredes descascadas de outrora. E não adiantaria escrever epitáfio, pois não estava nos cemitérios. As árvores se dobravam em gestos tortos por sobre os muros [em ramos aflitos e pedidos bizarros], tentando ouvir seus sussurros [qualquer indÃcio de pessoa] por entre os mortos. Mas ela não estava na terra. Nem por sob a terra. Nem desfeita em cinza, luz ou poeira. Não havia pessoa que se pudesse embalar ou reconstituir num painel, numa túnica, numa unidade tocada - pensada ou ideal. Não estava atrás dos descascados das paredes ou do tempo. Daquilo que já estava se indo, antes que houvesse nada no lugar. Ou alguma coisa. Nem no que estava pra vir, sem que chegasse nunca. Não seria possÃvel resumi-la no horizonte do provável, no pico da neblina ou da memória, nem guardá-la em memorável utopia, em impermeável inviolável embalagem de alumÃnio ou plástico. Pois que não havia quem ocupasse espaço ou vácuo, nem que o constituÃsse. Quedo-me olhando o teto mofado, aquietado e triste. Não há túnica que lhe sirva [à pessoa que não vejo], nem túmulo. Nem frase final [gravada em lápide ou voo em ziguezague de grafite, chumbo ou cinza vegetal] que possa abordá-la, abreviá-la ou à sua indecifrável passagem, entre a vã percepção e a falta de hombridade. Não há pessoa [ainda que eu raspe as unhas nas paredes] pra carregar comigo [além dos fungos no ar contido no exÃguo espaço dos meus sonhos]: aquela presença que nunca esteve.Marcelo Novaes Postado por Marcelo Novaes à s 30.6.09 0 comentários Réplica O que se passa?! Quando ele se curva, para limpar a mesa, raspa a calça na chave da gaveta, na altura da coxa. Ela voa. Ele se curva um pouco mais e pega a chave no chão. O curioso, muito curioso, é que a chave permanece na fechadura. A que voou foi uma réplica, que se configurou no próprio ato dele se curvar, e durante o rasgo. Como explicar? Para quem? O que se passa?! Ele não tem onde colocar esta que é uma outra chave e é a mesma mesmÃssima chave. A fechadura já está ocupada. Resta carrega-la. A chave. Na mão. O tic-tac do relógio passa a incomodar, só então. Tic-tac. Tic-tac-tic-tac. Não há onde colocar, enfim, esta mesma chave, senão seguir com o tic-tac na cabeça. Fechar o escritório. Não há como trabalhar com tantos elementos estranhos. Ou há?! Nem como disfarçar o rasgo na roupa. Ou há?! O que se passa?! Lobos passam a uivar em sua cabeça, pois ele viu viveu viu viveu viu muito e demais e muito. Ninguém viu viveu tanto somente por agachar um tanto. Ninguém no mundo foi pego de surpresa e susto só para limpar o tampo de uma mesa. Isso é injusto. Não há como explicar a réplica, nem como disfarçar o rasgo na roupa. Terá de se aposentar por justa causa. Não pode pegar o trem com o rasgo. Dinheiro para o táxi, ele não tem. Terá de seguir cento e oito quarteirões, com lobos uivando enquanto ensaia seus passos mancos, segurando as contas de um rosário numa mão desocupada, porque na outra tem de segurar a chave que ninguém conhece entende ninguém pode explicar ou crer. Por isso tem de bater com a chave em todos os postes para saber que ela é a mesma que fora ali no vôo ao chão do escritório. A mesma, então. E reflete enquanto bate a dita maldita cuja que ninguém ousa explicar nem ver nem apalpar enquanto pensa sobre o porque de ter usado calça de tecido fino aquele dia, e não jeans. O tic-tac do relógio do escritório trancado segue a seguir com ele, o recém-aposentado por invalidez. As questões candentes cruciais excruciantes passam todas a ficar claras, transparentes. Isso é claro agora com o tic-tac. Só agora é claro o quanto é difÃcil responder a cada coisa em seu lugar. Cento e oito quarteirões e as pessoas que esperam os ônibus em seus pontos fixos as prostitutas fazendo ponto nas ruas, as crianças e mães em seus maus caminhos e bons caminhos, todos se inquietam com o seu passeio porque faz barulho. Parece-lhe que lhes parece que ele quer agredir alguém. O que se passa?! O que ocore é que ele se incomoda mais por segurar uma chave-fantasma. E num ato súbito e impertinente, incontido, tira a camisa que está vestindo e rasga-a, ficando com o dorso nu a dor nua o dorso a dor o tronco nu exposto, exibindo uma tatuagem de cavalo-marinho sobre uma carruagem. Ele é um louco um lobo que atravessa o burburinho para espanto dos outros tão lúcidos tão certinhos. Poderá chegar ao fim do caminho sem ser atacado por lobo ou por bêbados? O que se passa?! Como pode alguém reunir os amigos do trabalho depois de perder o emprego?! Como pode reunir os que atravessaram o Atlântico, os que se mudaram para outros paÃses estados outros mundos mais sólidos em busca de melhoras ou aumento de salário?! Será que sua ex-namorada que foi ser puta na Espanha ficou presa na alfândega ou foi morta?! Como rever as mulheres dos prostÃbulos já fechados e pedir bênção à s freiras presas nos pedágios das rodovias, sem dinheiro?! Como voltar a ouvir sábias e cotovias que sumiram por entre as palmeiras?! Como voltar a declamar Castro Alves ou Gonçalves Dias?! Como arranjar novas maneiras de reencontrar sonhos com prazo vencido?! Como alimentar o vÃcio por remédios já não fabricados tarjados, proibidos, sem viajar?! Como fabricar engenhos novos e achar novos gênios numa geração de homens médios?!Como destilar água filtrada e pinga-da-boa do mesmo copo de garapa?! Terá esquecido as luminárias acesas no escritório que irá fechar?! Os padres entenderão a razão de seu desespero?!?! O que se passa é que ainda são setenta e sete quarteirões para seguir em frente e contas de rezas nas mãos, e postes para bater pra conferir a chave e o som e a verdade que ninguém vê que ninguém viu nem verá porque não quer não pode não ousa conferir. O que se passa é que muito se aprende por andar a pé e depressa, e que é melhor chegar logo em casa e dormir, antes de sucumbir à ameaça que ronda fora e uiva já dentro, os lobos famintos, os homens incrédulos, aqueles sem visão coragem capacidade de dar a mão e segurar uma simples chave-fantasma.Marcelo Novaes Postado por Marcelo Novaes à s 30.6.09 0 comentários Réquiem Ninguém poderia adivinhar a dor que sentias ao falar de Deus, a dor nos ossos, sublimada pelo brilho dos olhos, em meio à queles aros grossos dos óculos. Ninguém poderia imaginar o teu esforço em se manter de pé, aquilo era o fogo do entusiasmo, a vontade de dividir o que aprendeu sobre o que não era e o que faltava ser. Você se desnudou camada por camada, desde que se decidiu a acolher, em casa, os que dormiam na estrada. Desde lá, então, você se transformou naquele que sempre mostrou o quanto faltava para ser alguém de fato, que isso só se fazia num exercÃcio de encontro contÃnuo, consigo mesmo e com o Divino. Um câncer encontrou você virando a curva enquanto andava. E você já exemplificava tão bem o ato de se procurar, tanto que muitos se procuravam nos olhos teus que viam brilhar sobre a insensatez de quase tudo. Você não era comum em nenhum lugar. Tua palavra você desencavou de dentro de você, não repetiu nada de ninguém, não usou refrão, nenhuma estrofe emprestada, absolutamente nada de cor. Você aprendeu a falar de você diante do Deus que procurava ver, no exato instante em que tentava achar a ambos. No ato instantâneo. Nada melhor.Você descobriu em si, no cerne de si, que a verdade se desencava e cava-se mais e mais, e que faz arder e tremer como arde tudo o mais que se agrava e que se aprofunda até agradar a Deus, se agrava se agrada e se desencapa com um fio de cobre que dá choque e que faz tremer como arde a verdade que se viu nascer a fórceps, e que avança degrau a degrau após degrau mais pra dentro mais pro fundo mais pro cerne e dentro do coração das coisas. Dentro da lágrima das coisas. Dói-te e te dói a medula dos ossos estar aqui entre nós por nós para nós, pois nessa mesma noite irás partir depois da Santa Missa, depois da homilia, irás morrer nesta mesma noite. Que siga em paz e ascenda, então, pela mesma escada que aprendeu a descer. E que assim seja.Marcelo Novaes Postado por Marcelo Novaes à s 30.6.09 0 comentários Postagens mais antigas Assinar: Postagens (Atom) Marcelo NovaesSão Paulo, SP, Brasil Sou uma pessoa estudiosa, que não se furta a ver e dizer o que viu. Sou psicólogo clÃnico de orientação analÃtica (junguiana) e escritor. Publiquei "Cidade de Atys" pela Ateliê Editorial em 1998. Concluà o meu blog poético, "O Lugar que Importa", com mil postagens. Meu blog "Nota de Rodapé" é um local de reflexões (apontamentos de agendinha). "ReInvenção de Jorge" é um blog para análise literária de "Invenção de Orfeu", de Jorge de Lima. "O Olho Que Nos Olha Nos Olhos" é um ensaio de Psicologia ClÃnica, com ampla abrangência cultural.Visualizar meu perfil Meus outros blogs ReInvenção de Jorge Barroco - A questão agora é introduzir o aspecto Barroco da Invenção de Orfeu. Deixamos o poema neste ponto, em nossa última postagem. Canto I, “A Fundação d... Nota de Rodapé Relicário - Fala pouco, desde que nasceu menino. Ansiava por nascer criança, e Deus lhe deu a recompensa. Lambuzou de esmalte os azulejos de minha antiga casa. Voltei... O lugar que importa Corrosão - Isso nos teus pés, hoje, é ferrugem. E é, ainda que não fosse. Ainda que nunca tenha visto [antes] ferrugem em pé de homem. [E ainda que teu... O Olho Que Nos Olha Nos Olhos O Segundo Giro da Maçaneta - A criança olha pra maçaneta e seu estômago dói. Ela comeu de manhã cedo. Mas um giro em falso na maçaneta [que soa como uma chegada, mas não se concretiza],... Seguidores Arquivo do blog ▼ 2009 (450) ▼ Junho (450) Translúcido Caê não cai IndÃcio de pessoa Réplica Réquiem Imputação de culpa ao Amor Táxi, please! Astronave Por falta de espaço para a nuvem O Caminho das Cicatrizes Filhas das putas de Bombaim Quando o cinza sumiu nos furacões Amor fati O sermão das cinco casas O Ano Quarto da Era Comum O Circo dos Nomes Branco O Lugar Que É (Minha Alegria Hoje) Flores sobre trilhos Imóvel Cloaca Mudra À Contraluz Estojo A Mulher da Nuvem Arpejos Graffiti Grau Ainda Aliviado Mil e novecentos Baldes da correnteza Prisma Candelária A Porta Azul Granada Holograma Pêndulos Mira do Amor Front Olhos fixos Cascos Recato Dito e feito Pai de Ninguém Monocórdio Sibila Noturno Pó Consagrada O primeiro ofÃcio Nubentes renascentistas Grão Cangas & Arados Olhos que dormem à margem Conjuração do mundo inverso Quando um só já custava tanto... Olhos brancos Na Foz do Mais Longe Recapitulação do nome Cordão de isolamento O olho que olha branco e canta cego Olhos como fios A Rosa do Mundo Do meio dia à tarde... Piano A árvore azul Contas do Rosário R. E. M. Vendada Olhos como fendas Olhos como despedidas Olhos como riscos Plágio Solo subterrâneo Olhos como céus Realejo para Estela Luz inflectida: pássaro da neve Prospecção A Última Escola de Humanidades Ãncubo Pedras em pães Proud Liturgia das horas enfermas Três criptas crÃticas Azul Ãndigo Valsa branca Despedida de rio Futuro do pretérito Presente do Indicativo Vila Rica Onde moram as tochas Ainda que eu te ame, Amy Mojave Olhar de mosca morta Lágrima no Sol Olhos como buquês Olhos (e mãos) como lâmpadas Um tiro dentro dos olhos Olhe o barco de fogo que vem vindo na linha do olh... Olhos como lapsos O que me flagro ser Além Um concerto para os Ãndios Pawnees O fio do fim do mar Música de vidro Memórias de veleiros Memórias de azulejos Porque prefiro Laudo poético O Escudo, o Elmo e a Sombra A Dor de Vênus Fóssil Louça Canção de Redenção para a Meso-América Pele rude Móbile de anjos amarelos Enxame Esboço de Drama Ãgua de beber Franja de areia O Primeiro CÃrculo da Loucura Ah..., Madagascar...! Lambda À francesa Sais de banho A hora quarta Se você não representar... Quantum (poema visual) Garoto de outro Jonas Tinha uma fábrica no meio do caminho SÃlabas em falsete Marvada Caboclo de Lança O Vértice do Céu Intercessão Desdém em Dresden O Império do Sol Portais da arte Meios dedos Surpresa O topo da cadeia alimentar Fio na ponta de mil braços Timo Ancoradouro Amor no gerúndio Despedida de Baco Raia oito O que me sobra, agora, é abrir-lhes o guarda-chuva... Espaço entre as vértebras O bardo anterior ao bardo EpÃstola à paisana Canção rubro-negra Um cavalo Ladrão de cavalo Escultura d'água O Peso dos Arcos Risco de fogo Rosa e laranja Quilômetro dez O Império das Ãguas Sóror O Canto das Origens Rins O grito é um eco longo O Contador do Tempo As mãos não são de ouro Sol maior As palavras que acenderam o escuro Um jeito leve de pisar a lÃngua e a lágrima Jazz, sem pressa Escravos de Jó O verbo bom sempre rasga a boca Alguém, por favor, detenha o vento Negrinho do pastoreio A coagulação do amor rememorado Câmbio negro Eloquência & Inquietude Sabre Notas aos pares Pote d'água Canção de primavera ao modo cambojano Até sumir a tarde Um tango para o trem da morte Um Minotauro para apagar a memória Porque ficou esquisito o céu... Os ventos que nos cavalgam Onde mora o porto Os figos que murcham O discurso azul dos peixes A edição de um sonho com Clarice Só é rubro o sol que piso Prelúdio & Crepúsculo dos Deuses A respiração das palavras Há doze anos, rezamos juntos Agulhas & Tintas A noite da sirene, plexo adentro Os tÃmpanos que estouraram durante o sono Macro-telescópico O segundo giro da maçaneta Os ares e os erres O som do pingo d'água A baldeação da primeira chuva Era eu que estava acordado... Caça gramatical Não me pergunte se o céu, hoje, é mais quente... Fotográfico Inventário da maldade das máquinas Quadril Não quero a tua lÃngua na minha mente Ela veste azul escuro nesta noite Esse amor, tuberculoso e longo... Há lugar para todos As palavras órfãs Não sou João Cabral Como ocorreu, no último janeiro... O que nunca quiséramos... Onde mora o ausente Nu, com a mão no bolso O improvável e luminoso inseto alucinado Na companhia dos lobos A margem vermelha Uma estátua maior do que o mero fato Azul esmalte Toda passagem é estreita Crime & castigo Dreno A cor da noite A voz que surge no meio da chuva A nuclear nostalgia Fala mansa, fala de vidro Depois me conte o caminho que as águas têm seguido... Una e trina A beleza do preto O perfume do fogo Borboletas acesas O Dedo Verde da Aurora Choro de anões Hábito Um vento ruivo Alguma elegância sobra Passeio chinês Quadro a quadro Os donos dos sonhos dos cães São & Salvo Cerimoniosa Eros na ciclovia Liturgia anti-espreita A voz que canta no penhasco Tanto faz dizer quanto sonhar um Unicórnio O Anjo que paira sem bússola sobre o extertor da T... A formidável fome Santa Rosa dos Desertos Também sou oito A última luta de boxe Kadosh Chapliniano Thick as a brick (espesso como um tijolo) Corner neutro Deus não joga bilhar Porque ainda é cedo Pote Bye bye, so long, very well A Dor das Nuvens Eixo da beleza Amor em mi menor Presença de Anita Cone azul e cinza Uma prece a LuÃs Carlos Prestes Alma prima A invenção do vento Toneladas de aço Os Quatro Cantos do Mundo Cabo-de-aço Memórias de Cavalos Marinhos A Flor Intacta dos Olhos O Teatro das Nuvens Halo sobre o ombro A Segunda Ãrvore O Coro dos Decapitados Um abraço pro Renato Borboletas de ar Sapos sabem saltos Com minhas mãos de prata Reza a lenda e deixa de ser lenda quando se reza Vinte watts Peças para viúvas desnudas Terra de ninguém Como canta o arqueiro sob o sol a pino Rezar a luz até a nuvem Se esta rua fosse Por detrás de um teto cinza de fuligem Eros em Goa Era eu que estava acordado... Não me pergunte se o céu, hoje, é mais quente... O discurso dos vasos sobre a Nona Dama O santo nome da estátua Eixo da Terra Um acorde no Palácio de Buckingham Horas e favas contadas para as bodas AssÃntota Lendas e anéis Canção salina, enquanto se espera o sono Relógio de sol VigÃlia Romper anel e partejar estrela Há uma lança que brada por sangue Um de cada vez Rubro Eu vi um homem correndo. Eu vi o tempo. E chamam a isso de Verdade... Ceifando a névoa que recobre o mundo Proibido pisar na grama Jardim japonês Ficus Religiosa Será bom tê-lo por perto, por um tempo, ainda Como no século terceiro Aula de esgrima A febre de Juno Um terço, dois terços DiscÃpula de Zoroastro Uma Nova Aliança O sono dos justos Quadrados & CÃrculos Balada para Lilith Avant-Première no Teatro Fantasma Os móveis de minha sala sentiram a minha falta Pop & Blues A precariedade do poético A avó da história Como escrevem os homens Berço O que você procura? Ethos Havana A vela e o remo Enigma & Salvação Meu único vÃcio Antevéspera do Verbo Hoje foram tuas mãos... Listas e labirintos Transparências Durga Kairós O Adão anterior Malê Um leque para William Blake A formidável fome Disfarces Honesta e vegetal Pierrot Anular anulado Devida porção Arte como instinto Inclinado Os melhores poemas Extremamente fácil Samsara Capitão Três salvas de tiros ao soldado desconhecido Cavalo de Tróia Saquê A canção que embala o pesadelo Caixinha de música Sem perder de vista O Édipo anterior ao Édipo Como você prefere a poesia? Do centro ao longe Olhos planos O fim do poema Pena sem peso Queda Dark Blue Asa e bastidor Fado Isso não é pó de giz Questão de estilo e estilhaço In Memorian O tronco que a mão não atravessa Dois e um Poste Acentuação do amor-perfeito Êxodo Turquesa Décimo quinto Zero Tudo se encaixa Interlúdio para Marianme Emulsionados céus de dezembro Olho de Vidro Cervus fugitivus Nova Flor O alvo além da mira (faz muito calor no Texas...) Sem dolo Molde Piercing no umbigo Aos quatorze A Canção Inédita de Omar Khayyam Sapatos vermelhos Nenhuma razão para duvidar deTania Campbell Por entre os dentes To Miss Anthropos Elogio à Pintura da Primeira Saudade Tango Alma Gêmea Maculelê Tábuas soltas Dark Colombina Elas por elas Galerias de fogo Ur A mulher que me basta Poeira nos pés e dor nos olhos Orla dos olhos (fog) Apenas que, agora, as escamas nos caÃram dos olhos... Goodbye Yellow Brick Road Zero ponto oito Céu de ametista Respeite-me, Ana Lee! Voa voa, grão de sésamo Lazúli A longa e meiga viagem dos ariostos Nova & noiva Embalsamada em lágrima Blanc (O Lugar do Gozo) Chapeuzinho vermelho O anjo insepulto Despedida do que era partida(o) Crateras A melhor explicação Mandarim Bandoneón Cinturões Punhal na garganta Do que se trata Sete voltas Lacunas sépias O verde ver de seu olhar... O terceiro navio Plangendo pianos Cavalo de vento Teu nome é Vastidão De tanto suspirar, há de morrer À espera dos inocentes Verde escuro Nem esse vento gelado... Oitavo Dan Sob um sol amarelo-pálido Chucrutes & croquetes - 5fdbed4beb16c9279401dd5a0773bca8bafc598529602edad3b40e9df41a8592
-
(What's this?)
W9B94-6CF19-31782

