Cristina Mansur era uma mulher elegante, com um estilo todo próprio. Cheia de convicções e totalmente dedicada a sua famÃlia e ao seu trabalho. Casada com Rogério Mansur – um homem que literalmente tropeçou no destino dela. Ele era o homem certo na hora certa… Ela não o amava, mas amor não era exatamente o que Cristina buscava. Ela não tinha tempo para as incertezas de um sentimento. Tinha tempo apenas para tudo que pretendia em sua vida…
A bordo de seus trinta e sete anos, ela havia conseguido muitas conquistas. Não foi um caminho fácil, afinal de contas, a morte de seu pai dificultou muitas coisas. Ela tinha pouco mais de vinte anos, estava cursando o último ano da faculdade quando seu pai adoeceu. Abandonou tudo para cuidar dele e de seus irmãos e fez um excelente trabalho… Fausto formou-se em engenharia, casou-se e teve dois filhos, dois preciosos tesouros para sua irmã que os adorava. Edgar, o caçula, trabalhava na empresa de sua irmã, estava noivo e era um jovem cheio de talentos quando o assunto eram desenhos… Mas havia alguns exageros naquela famÃlia quanto ao controle de Cristina, que determinava cada passo, cada decisão importante naquela famÃlia. Absolutamente nada fugia do seu crivo. Ela determinava absolutamente tudo, até mesmo o corte de cabelos a ser feito por cada um deles. A sensação que se tinha era que ela controlava a vida de todos como se fossem parte da empresa de marketing que ela tinha…
Quando estava em sua empresa, ela participava de reuniões, compromissos nacionais e internacionais, mantinha-se atualizada sobre tudo que acontecia no universo. Tinha idéias constantemente e observando-a com mais riqueza de detalhes, percebia-se que seu trabalho na verdade, era uma forma de escape – o meio encontrado por ela para se manter respirando. Para se manter viva sem sentir falta de outras coisas que ela jurava não fazer falta a sua vida…
Seu marido, Rogério, era um homem bonito, charmoso, elegante e que aparentemente, não fazia nada além de jogar tênis no clube quase todos os dias – sair com os amigos quase todas as noites – ser entrevistado por algumas revistas que queriam saber tudo sobre seu estilo de vida: a roupa que estava usando, as festas que freqüentava, as viagens que fazia.
Contudo, o casamento com a dama de ferro do mundo do marketing, há muito tempo não era real. Cristina acabara descobrindo que o homem que ela considerava perfeito para constituir sua famÃlia não era assim tão perfeito quanto ela pensava. Ele era esteril – motivo de sua famÃlia ser tão pequena. E como para ela a separação não era uma opção, os dois continuavam vivendo na mesma casa… Até dormiam na mesma cama, mas não ia além disso. Era o casamento perfeito para as páginas de revistas… Uma profissional exemplar com um modelo raro de beleza!
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