imagem removida pelo autorEla tinha seus dois anos e já exibia seus cachos dourados com certa desenvoltura pelos corredores e cômodos da casa. Linda, uma criança extremamente feliz, desde cedo fingia ler meus livros e contava histórias para os bichinhos de pelúcia, todos devidamente arrumados em círculo e intimados a prestar atenção em sua explanação. Assim que aprendeu a segurar um lápis, petulante, ela me escrevia bilhetes repletos de linhas sinuosas que poderiam ser de amor, mas em sua maioria eram alguma reclamação sobre as minhas atitudes ou proibições. Quando não “lia” ou via seus desenhos preferidos, dançava. E de preferência, em cima do sofá.Naquele dia, estávamos só as duas em casa. Atarefada, eu preparava uma refeição e a observava de longe dançando. Ainda me recordo de tê-la visto em cima do sofá, com seus tênis de luzinhas piscando e a adverti. Como sempre, ela obedecia imediatamente, mas voltava a fazer assim que eu me distraía. Num instante, um grande barulho se fez ouvir em minha sala. Logo percebi que só poderia ser a grande tela à óleo que despencara da parede e poderia ter machucado aquela menininha sapeca. Corri em sua direção, apavorada, pensando que algo de ruim havia acontecido...Eu devo ter chegado com uma expressão terrível, pois ela me olhava boquiaberta. Mas, antes que eu esboçasse qualquer reação, apontou a porta da rua e já foi logo dizendo: Foi o Lobo Mau mamãe, e ele foi por ali!Depois disso, o Lobo Mau ainda fez algumas artes em minha casa. Até que num belo dia, ele foi morar para sempre nas matas do Ventania, o meu lugar de andar pelas montanhas e ver o sol se por. Tornou-se um Lobo Bom e comportado e não foge mais do caçador ...E em mim ficam as luminosidades, os perfumes ,os toques e os olhares tatuados na alma pela saudade de momentos ímpares de nossas vidas...© Claudinha.::Música deste post: “Ciranda da Bailarina”–Adriana Calcanhoto::.
Este artigo pertence ao Transmimentos de Pensações.
Plágio é crime e está previsto no artigo 184 do Código Penal.
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