Penso numa Sinfonia, que surja assim, como poesia...Será tarefa pouco fácil, aliás, exigirá percepção tátilolfato aguçado, visão esmiuçada e audição impecável.Ainda estudo alguns temas, penso em alguns dilemasque percorrerão meu caminho, à s notas do pentagrama,no decorrer do pergaminho...O primeiro movimento, já anteouço no inÃcio,uma lúgubre linha de contra-baixos, que me darãoprovimento à esses tempos difÃceis, poucos propÃcios,que rastejam lentamente, em segundas menoresdescrevendo outros futuros piores...Cadências ostensivas no naipe das cordas,seguirão pesadas em acordes dissonantementes mundanosexpressando tempos profanos, de gangues e hordasNa percussão, tÃmpanos conduzirão o ritmo trépidoda cavalgada apocalÃptica em sete por oito, com tesisno primeiro tempo, seguido de rufar de tarois estridentescontra-ritmando em ternário, absurdo e azafamo berçáriode indigentes, balaústres pingentes de todo tipo de gente...Em solene momento, entram em solo, trombetas anunciantesem notas longas e arrasantes, em acordes poderosos ecélulas rÃtmicas iguais, mostrando soberbas fenomenais,ponteadas nota a nota por caixas dilacerantes comonunca se ouvira antes...Após a abertura, suave melodia se prostrará, vindo donaipe das madeiras, onde um colóquio melódico entreum oboé,uma flauta e uma clarineta, mostrando que aindaresta alguma candura, entre os homens de boa vontade,mesmo que na clausura, poderá existir ainda justa sociedade...Os metais agora abafados em surdinas, seguem calçandopomposamente aquele colóquio, em pianÃssimo,com solenidade perene, “andantÃssimo"majestosa harmonia, como se belas aves bailandoseguem em perpetuo cânone, com um certo ralentando...Numa coda final, resumem-se tocatas magnÃficas, entoadasem “tuttiâ€, com a orquestra bradando em peso, como setodo humano tivesse semblante de paz em veste honorÃfica...Arpejos aéreos vagarão docemente,tal comosorriso de apaixonado adolescente, acompanhando em piano,em harmonia ascendente...TrÃtonos contundentes, se insinuarão em trompas econtra-fagotes, em acordes diminutos menores, mutantes,digladiarão com pÃfanos estridentes, tal qual laminas cortantesanunciando todos estupores, como estranguladas glotes...Este será, do primeiro aos últimos movimentos, o mote.